Chegámos à Praia do Vau, despimo-nos, jogámos um bocadinho à bola, só porque a digestão, enfim, precisa do seu tempo e blábláblá. Mas a bola fugia-nos para o mar e nós vimo-nos obrigados a ir buscá-la.
Apesar de estar quase lua cheia, a água do mar estava muito escura, assustadoramente negra. A mami lembrou-se vagamente de umas cenas de Jaws, mas foi só vagamente. Bela água àquela hora e depois de um dia de nortada. Estava mesmo boa!
22:00
Depois de secos, eu e o Vasco, cada um com a sua cenoura, e o Ricardo a servir de guia, tomando conta da lanterna, enveredámos pela escuridão do Vau em direcção às rochas, à caça de gambuzinos. De repente, um ruído vindo do escuro, de um buraco ou gruta ou caverna. Apesar de o Ricardo nos incitar à investigação, motivando-nos com o fantástico que seria caçarmos um animal cuja descrição é do mais incongruente e cujo aspecto desconhecíamos em absoluto, achámos que o melhor seria mandar a minha avó à frente… E depois de algum suspense, de dentro do buraco escuro não saíu nada, mas por trás de nós surgiu uma criatura eléctrica, muito escura, peluda e de quatro patas, igualmente curiosa mas a que se dá vulgarmente a designação de Cão, naquele caso concreto, caniche. Acreditamos que este bicho tenha espantado os eventuais outros, porque gambuzinos, nem vê-los!